☰
Blog · Direitos e obrigações

Licença sanitária: quem precisa, como tirar e quanto custa

Equipe Negócio em Rota
Atualizado em 26/10/2026 · Conferido nas fontes oficiais
Quem emite
Vigilância sanitária local
Taxa do MEI
Isenta (LC 123)
Risco
Define se precisa
Resposta rápidaA licença sanitária é exigida de quem exerce atividade sujeita à vigilância sanitária classificada como de alto risco, como clínicas, cozinhas industriais, farmácias e estúdios de tatuagem. Ela é emitida pela vigilância sanitária do município ou do estado, e o custo varia de cidade para cidade. O MEI é isento das taxas da vigilância sanitária pela LC 123, mas pode precisar da licença se a atividade for de alto risco.

Em resumo

Descubra
O CNAE da atividade e o grau de risco na lista da sua cidade.
Adeque
O espaço, os documentos e, se exigido, o responsável técnico.
Peça
A licença no sistema da prefeitura ou da vigilância, antes de abrir.
Plano de negócios em PDF Abrir →

O que é a licença sanitária

A licença sanitária (também chamada de alvará sanitário ou licença de funcionamento sanitária) é a autorização da vigilância sanitária para que um estabelecimento funcione. Ela existe para atividades que podem colocar em risco a saúde de quem consome ou usa o serviço: comida, cosméticos, procedimentos no corpo, medicamentos, produtos de limpeza, água, entre outros.

Quem emite é a vigilância sanitária do município. Em algumas atividades e em alguns estados, a vigilância estadual também participa. A Anvisa define regras gerais e listas de referência, mas não emite a licença do seu salão ou da sua lanchonete.

Ela é diferente do alvará de funcionamento, que é da prefeitura e trata do endereço e do uso do imóvel. Muitos negócios precisam dos dois.

Quem precisa: tudo depende do grau de risco

Desde 2017 a vigilância sanitária trabalha com classificação por risco da atividade econômica, identificada pelo CNAE. A Instrução Normativa 66/2020 da Anvisa organiza essa lista em três situações:

NívelO que significaComo funciona o licenciamento
Risco I (baixo)Atividade sujeita à vigilância com risco mínimo, definida pelo CGSIMDispensa a licença antes de abrir, mas segue sujeita à fiscalização
Risco II (médio)Listada no Anexo II da IN 66/2020Em geral, licença simplificada por declarações do responsável
Risco III (alto)Listada no Anexo I da IN 66/2020Licença com análise e, muitas vezes, vistoria antes de funcionar
Depende de informaçãoListada no Anexo IIIVocê responde perguntas do Anexo IV: resposta “sim” leva ao risco III; “não”, ao risco II
Atenção: a própria IN 66/2020 (art. 7º) diz que a lista da Anvisa só vale quando o estado ou o município não tiver classificação própria. Por isso, a regra que manda é a da sua cidade.

Exemplos de atividades na lista da Anvisa

CNAEAtividadeClassificação na IN 66/2020
9609-2/06Tatuagem e piercingRisco III (Anexo I)
9602-5/01Cabeleireiros, manicure e pedicureRisco II (Anexo II)
9609-2/07Alojamento de animais domésticosRisco II (Anexo II)
9602-5/02Estética e outros cuidados com a belezaDepende: há procedimento invasivo? (Anexo III)
7500-1/00Atividades veterináriasDepende: há medicamento controlado ou equipamento de imagem? (Anexo III)
8650-0/01EnfermagemDepende: há procedimento invasivo? (Anexo III)

Fonte: Anexos I a IV da Instrução Normativa Anvisa 66/2020. Confira se a sua cidade adota outra classificação.

MEI precisa de licença sanitária?

Não existe dispensa automática só por ser MEI. O que define é a atividade e o local. Uma manicure MEI que atende em casa de clientes está numa situação diferente de uma MEI que monta uma cozinha para vender marmitas ou uma sala de estética com procedimentos.

Muitas prefeituras dispensam o MEI de licença sanitária em atividades de baixo e médio risco e só exigem nas de alto risco com estabelecimento. A capital paulista, por exemplo, segue essa lógica. Mas isso é regra local: confirme na sua cidade.

A isenção de taxas do MEI

Aqui a lei é clara e vale no país inteiro. A Lei Complementar 123/2006, art. 4º, § 3º-A, diz que o MEI (junto com o agricultor familiar com DAP e o empreendedor de economia solidária) fica isento de taxas e outros valores relativos à fiscalização da vigilância sanitária.

Além disso, o § 3º do mesmo artigo reduz a zero os custos de abertura, alvará, licença, cadastro, vistoria e fiscalização ligados ao MEI. Se a prefeitura cobrar taxa de vigilância de um MEI, peça a revisão citando esses dois parágrafos.

Atenção: isenção de taxa não é isenção de regra. O MEI continua obrigado a cumprir as normas sanitárias, e pode ser autuado e interditado se não cumprir.

Se você ainda não sabe se a sua ocupação pode ser MEI, consulte as atividades permitidas e o CNAE do MEI.

Como tirar a licença sanitária: passo a passo

  1. Confirme o CNAEVeja o código principal e os secundários no cartão CNPJ ou no CCMEI. Se a atividade real não bate com o CNAE, corrija antes (no MEI, pelo alterar MEI).
  2. Descubra o risco na sua cidadeProcure “classificação de risco vigilância sanitária” no site da prefeitura ou ligue para a vigilância. Se não houver lista local, use a IN 66/2020.
  3. Veja se o imóvel serveAntes de assinar o aluguel, confira a consulta de viabilidade na prefeitura (zoneamento) e as exigências físicas da atividade: pia, piso lavável, ventilação, separação de áreas.
  4. Monte a documentaçãoCostumam pedir CNPJ, documento do responsável, contrato de locação ou escritura, planta ou croqui, manual de boas práticas e procedimentos operacionais padronizados (POPs), contrato de coleta de resíduos e, em algumas atividades, responsável técnico com registro no conselho.
  5. Faça o pedidoEm muitas cidades é online, integrado à Redesim. Atividades de risco médio podem sair por autodeclaração; as de alto risco entram em análise.
  6. Receba a vistoriaNo alto risco, um fiscal pode visitar o local antes ou depois da liberação. Corrija as pendências no prazo que ele der.
  7. Guarde e renoveDeixe a licença à vista quando a norma local exigir e anote a validade. Mudou de endereço, de atividade ou ampliou o espaço? Atualize o licenciamento.

Quanto custa a licença sanitária

Não há tabela nacional. Cada município fixa a taxa de fiscalização sanitária por lei própria, normalmente conforme a atividade, a área do estabelecimento ou o grau de risco. Para MEI, a taxa é isenta pela LC 123.

O custo real, para quase todo mundo, está na adequação:

GastoQuando aparece
Obra e acabamento (piso, revestimento lavável, pias)Cozinhas, salões, clínicas, pet shops com banho
Equipamentos (autoclave, refrigeração, exaustão)Estética, tatuagem, alimentos
Coleta de resíduos de saúde (perfurocortantes)Quem usa agulhas, lâminas descartáveis
Manual de boas práticas e POPsAlimentos, estética, saúde
Responsável técnicoQuando a norma exige profissional habilitado
Controle de pragas e limpeza de caixa d’águaExigido por muitas vigilâncias em comércio de alimentos

Coloque esses gastos no seu planejamento de abertura e no capital de giro. Um negócio que abre sem licença e é interditado perde semanas de faturamento.

Alvará sanitário, licença sanitária ou LSF: é tudo a mesma coisa?

Na prática, sim. Cada estado ou município dá um nome ao documento: alvará sanitário, licença sanitária, licença de funcionamento sanitário ou cadastro sanitário. Todos são a autorização da vigilância sanitária para a atividade funcionar naquele endereço. Por isso, quando alguém pergunta “quem é obrigado a ter alvará sanitário”, a resposta é a mesma desta página: quem exerce atividade sujeita à vigilância sanitária, conforme o grau de risco do CNAE.

O que muda de lugar para lugar é o procedimento: em uns, tudo sai pela Redesim junto com o CNPJ; em outros, há protocolo no site da vigilância municipal e vistoria. Procure no site da prefeitura pelo nome usado na sua cidade.

Atividades que mais costumam precisar

Erros comuns

  • Alugar antes de consultar: o imóvel pode não aceitar a atividade ou exigir obra cara.
  • CNAE errado: declarar uma atividade de risco menor do que a real não protege; na fiscalização vale o que você faz.
  • Achar que MEI não precisa de nada: a taxa é isenta, mas as regras sanitárias continuam valendo.
  • Pagar taxa indevida: MEI que recebe boleto de taxa de vigilância pode contestar com base na LC 123.
  • Esquecer a renovação: licença vencida equivale a funcionar sem licença.
  • Contratar despachante sem pedir: a LC 123 (art. 4º, § 4º) só permite cobrança de serviços privados ao MEI se ele pedir antes, por contrato assinado.

O que fazer depois de licenciado

Mantenha os registros que a vigilância pode pedir: limpeza, manutenção de equipamentos, esterilização, validade de produtos, notas de compra. Organize as compras com controle de estoque e confira se está tudo em ordem no checklist do MEI.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

O que é licença sanitária?

É a autorização da vigilância sanitária para funcionar em atividades que podem afetar a saúde de quem compra ou usa o serviço: alimentos, beleza, saúde, produtos de limpeza, cosméticos, entre outras. Também é chamada de alvará sanitário ou licença de funcionamento sanitária.

Quem precisa de licença sanitária?

Quem exerce atividade sujeita à vigilância sanitária classificada como de risco alto (nível III) pelo município, pelo estado ou, na falta de regra local, pela Anvisa. Atividades de risco médio costumam ter licenciamento simplificado por declaração, e as de baixo risco são dispensadas do ato prévio.

MEI precisa de licença sanitária?

Depende da atividade e da cidade. O MEI não está automaticamente dispensado: se a atividade for de alto risco e houver estabelecimento, a vigilância pode exigir a licença. O que a lei garante é a isenção de taxas da vigilância sanitária para o MEI (LC 123, art. 4º, § 3º-A).

Quanto custa a licença sanitária?

Não existe valor nacional: cada município ou estado fixa sua taxa conforme a atividade e o tamanho do local. Para o MEI, a LC 123 isenta taxas e outros valores relativos à fiscalização da vigilância sanitária. Os gastos que sobram são os de adequação do espaço e, quando exigido, de profissional responsável.

Como saber se minha atividade é de alto risco?

Pegue o CNAE da atividade (está no cartão CNPJ ou no CCMEI) e procure na lista de risco da vigilância sanitária da sua cidade. Se a cidade não tiver lista própria, vale a Instrução Normativa 66/2020 da Anvisa e a classificação do CGSIM.

Quanto tempo demora para sair a licença sanitária?

Depende da vigilância local e de haver ou não vistoria antes da liberação. Atividades por autodeclaração podem sair na hora pelo sistema da prefeitura. As de alto risco podem levar semanas, sobretudo se houver pendências no projeto ou na documentação.

Qual a validade da licença sanitária?

A validade é definida pela legislação de cada município ou estado. Em muitos lugares é anual e precisa ser renovada antes do vencimento. Consulte o prazo no próprio documento e no site da vigilância.

O que acontece se eu funcionar sem licença sanitária?

A vigilância pode orientar, autuar, multar, apreender produtos e interditar o local, conforme a legislação sanitária.Clínicas de estética e cozinhas são alvos frequentes de interdição.

Licença sanitária é a mesma coisa que alvará de funcionamento?

Não. O alvará de funcionamento é da prefeitura e trata do uso do imóvel e da atividade no endereço. A licença sanitária é da vigilância sanitária e trata das condições de higiene e segurança à saúde. Um não substitui o outro.

Quem trabalha em casa precisa de licença sanitária?

Pode precisar, se a atividade for de risco sanitário e o atendimento ou a produção ocorrer na casa. Quem só atende a domicílio, sem estabelecimento, costuma ter tratamento diferente. Confirme na vigilância do seu município.

Continue lendo